domingo, 30 de novembro de 2008

Não adianta-me

Não adianta-me

fugir,
de mim mesmo ou de você,
E de novo remoer o desejo que tenho, ou não.
Remoer, a vontade que me faz mais uma vez, a você aludir.

Não adianta-me

viajar,
toda a espera, todas as árvores, o céu, o sol, as nuvens.
tudo o que passa pelas janelas
me remetem o seu olhar que brilhava ofuscantemente ao ver-me.

Não adianta-me

nem ao menos ir,
ao mercado, subir em árvores,
igrejas, universidades, ir ao lago
...pensar em dinossauros.

Não tem mais varanda em noite quente,
não tem mais juras de amor,
não tenho mais risos nem sorrisos.

Não adiante-me mais escovar os dentes,
quebrarei-os um a um aliviando a dor que o coração sente,
transparecente pelo sorriso, que ficou amarelo,
no dia em que nosso elo se rompeu e quase me convenceu
que não adiantava mais tentar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Que dia é hoje

Este não é mais um mero texto que lhe diz para aproveitar a vida ou algo parecido.É apenas um pensamento em relação ao dia de hoje. Comecei a questionar-me enquanto andava pela estrada, pois havia presenciado uma conversa nesses termos:

- Que dia é hoje?
- Um dia depois de ontem.
- Quarta-feira.
- O dia número 273 do ano.
- Putz, obrigado gente, eu só queria o dia do mês...

Era uma pergunta e foram 3 respostas. Respostas certas, diga-se de passagem. Mas não era o que o interrogador desejava saber.

Hoje pode ser o dia da mudança, pode ser o dia da vitória, o dia da morte de uma vida, ou vida de uma que estava morta. Hoje pode não acontecer nada. Hoje pode ser o dia número 322 do ano. Agora vou dormir e amanhã, antes de repousar novamente saberei que dia foi o hoje.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Saiu assim

Hoje eu só quero escrever, sem importar-me com o que sairá.
chega de metrica rima acento ou virgula.

Com muitos pontos descrevo meu dia.
Minha vida. Sempre limitada. Sempre medida. Sempre cuidada por muitos olhares.
Por que. Não. Posso. Me. Cuidar. Sozinho.(qual o sentido real dessa frase?)
Por que tenho que provar muitas coisas aos outros. Como diria meu professor de literatura da escolar citando sei la quem " estou farto desse lirismo comedido que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo ", oras o que é cunho vernáculo. eu não entendi nada na aula. Só hoje me dou conta da angústia de existir e do ódio à regras, foda-se a exeção.

Todos ficam nervosos uma vez até o Hulk. Não, eu não estou verde.
Não, não estou nervoso. Só falei coisas sem nexo que deveriam sair.
Bipolaridade é para essas coisas.

sábado, 22 de novembro de 2008

Minha epopéia para sair

Gente socorro!!!!!!!!!!
Hoje, sábado, O Sábado. Aquele, em que você vai sair com a pessoa que pode ser o pai de seus filhos, me entenderam, né?! Abro o armário e chego a infame conclusão que não tenho roupas para sair.

Camiseta branca, estampada, camisete, blusinha, com jaqueta ou sem, não está frio, mas vai que chove. Não aguento isso, quando estou muito anciosa, nada me cai bem, nada me convence de que vale a pena usar.

Calça jeans, corsário, shortinho, saia, curta ou comprida, não posso parecer velha nem muito oferecida,... olha o vestido preto. Eu procuro causar uma boa impressão e mostrar quem eu reamente sou. Sei que a roupa não vale lá muita coisa e o que eles realmente querem é o que está por baixo, mas custa eu ir bem apresentada.

Tênis, sandália, scarpan, salto alto ou baixo, se a gente for andar muito tem que ser baixo, se não vou acabar com meus pés, mas eu sou mulher e não sinto dor no pé já dizia minha tia, encalhada que aos 40 teve que amputar os pés. Espera, eu nem sei para onde vamos, e nem sei se vamos, acho que não vou mais. É isso, não vou.

Mas eu vi o filme da Amelie o outro dia e o homem dos ossos de vidro olhou para mim e disse que eu não poderia ter medo,...ai meu Deus a campainha.

- Oi, tudo bem?
- Tudo, você chegou cedo, hein!?
- Eu mudei de idéia e trouxe uns filmes pra gente assistir, topa?...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dom Quixote II - O Retorno

Há tempos não enfrento gigantes, há tempos não pratico atos heróicos, há tempos me distraio na, monótona, rotina do cotidiano.

Certa vez, andando pelas ruas perdidas de meu vilarejo, uma senhora pede-me para ajuda-lá a abrir o portão, eu o faço. Ela pede-me então, para olhar se "o portão dela está com as rodinhas no trilho", eu de passivo pedestre passo a ser um ativo "arrumador de portão"? Nada contra os "arrumadores de portão", mas eu sou um herói e tenho saudade dos desafios contra exércitos.

Ontem ainda lembrei de quando duelava com serpentes venenosas assassinas. O que eu estava fazendo? Desatando nós de um belo escapulário.

Contudo a falta que sinto de grandes duelos não supera um: obrigado, Deus te abençoe e outras boas palavras que recebo após pequenos atos.

Quem sabe estou numa nova fase de heroismo?!
Quem sabe devo voltar para Dulcinéia e viver uma vida pacata contando meus feitos em blogs desconhecidos!?
Quem sabe devesse arrumar uma capa e por a cueca por cima das calças?!