sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Ainda sobre as nuvens.
onde a terra é estática e o céu se move.
No vai e vem das marés
elas permanecem paradas,
em paredadas,
empalhadas
e espalhadas.
pelo movimento que vira, veloz a valorizar,
a ressaca do mar.
Nuvem que vai eu te peço,
tira a tristeza do hoje, que não é minha.
nuvem que vem, vem com os barcos,
os não ancorados que se deleitam magistralmente pelo mar.
O amanhã? Nuvem que é de algodão, não tem com o que se preocupar.
Nuvem que tem a superfície inferior lisa como a seda, não olha a cor do céu.
No vai do vento, ninguém ouve a tempo o sussurrar na janela.
Daquela que vive em grupos, mas sozinha.
Que vive de aparência, branca, clara, sempre purinha.
Não, não me engana e eu espero pelo seu temporal.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
A Mala de Pandora
Hoje desarrumei minhas malas e tinha muita coisa nela, mais até do que esperava.
Tinha muitas alegrias perdidas embaixo das meias, e sorrisos em meio a produtos de higiene pessoal. Fui guardando a maneira que as tirava da mala, sem escolher muito. Era camiseta branca junto com pensamentos de paz, camiseta preta junto com a vontade de cair no mundo. Encontrei alguma tristeza em meio ao material da faculdade, os problemas sempre estão ali.
Após guardar um bom número de bugigangas, encontrei sonhos esquecidos ao lado de paixões da infância. Foi muito bom rever tudo aquilo, pensei que os havia perdido há tempos atrás. Roupas de frio, roupas de calor, roupas de amar, outras de dor.
Algumas horas depois vejo que não era tanta coisa assim, acabo de tirar minha vida da mala. Bato o pó que resta no fundo, que se dissipa no ar antes da esperança cair. Assim como na caixa de pandora a esperança está lá, no seu último e devido lugar. Esperando por uma adoração pagã de minha parte, mas eu ergo meu nariz e recoloquo-a dentro da mala. Quem sabe na próxima viagem eu precise mais dela do que agora. Por enquanto me basta a fé.
*imagem _ http://www.armazembrasileiro.com.br/popup_image.php?pID=343
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Romance Ideal
Não, acho que nunca te vi antes.
[error 001];
Será que hoje chove?
Eu tenho cara de moça do tempo?!
[error 171 - falha na comunicação];
Aquele cara que enorme tava aqui era teu irmão?
Não, meu namorado.
[error fatal 190 – você deve sair do aplicativo ou fugir mesmo]
Aquele cara enorme que tava aqui era teu irmão?
Não, meu pai.
[error fatal 911 – seu sistema pode estar em risco. Circulatório, respiratório, enfim todos]
Está a fim de sair hoje a noite?
Não, acho que vou cuidar da minha bisavó e de seu gato.
[error lpt1, reinicie seu papo furado com outra pessoa, digo, o computador]
Você é mó gostosura.
Seu cretino shilep(tapa na cara).
[você quis dizer: linda, bela, beleza estonteante, admirável]
Penso que nunca me encaixarei nesse mundo cybernético. Onde tudo é superficialmente falso e fácil. Saudade dos romances por carta, onde a espera pela carta da amada fazia meu coração palpitar por semanas. As folhas caiam no outono e a primeira delas eu enviava a minha amada, para que ela soubesse que as estações mudavam a natureza mas não o meu amor por ela. ...outro dia enviei uma folha de papel sulfite...
não foi a mesma coisa.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Paralamas
Eu quis dizer você não quis escutar, não faça assim, não faça nada por mim, não vá pensando que ela disse adeus, ela é só uma menina. Para não toca-lá melhor nem vê-la. Cuide bem do seu amor.
Não vamos aceitar a situação que o sistema nos obriga.
Não vamos desistir nunca. (O bom e velho positivismo francês)